A justiça foi feita em uma das noites mais tensas do Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte do Paraná. Marlon Ferreira Lemes foi condenado a 23 anos e três meses de prisão em regime fechado por planejar um ataque brutal e impiedoso contra sua ex-namorada, Isabelly Aparecida Ferreira Moro. O motivo? Um sentimento doentio de posse e o desejo perverso de "deixá-la feia" após o término do relacionamento.
O crime, que chocou o país pela frieza e crueldade, aconteceu em maio de 2024. A decisão do Conselho de Sentença acatou integralmente a denúncia de tentativa de feminicídio com três qualificadoras que desenham o cenário de horror vivido pela vítima.
As Três Qualificadoras do Horror: Por que a pena foi exemplar?
O júri entendeu que o crime não foi apenas uma agressão, mas um ato planejado de tortura física e psicológica. O réu foi condenado com base em três agravantes destrutivos:
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Meio Cruel: O uso de soda cáustica — um produto químico altamente corrosivo e tóxico — foi escolhido deliberadamente para causar sofrimento intenso e agonizante à vítima.
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Motivo Torpe: O ataque foi motivado por um sentimento de posse e vingança de Marlon pelo fim do namoro, aliado ao ciúme e inveja nutridos por sua atual companheira na época, Débora Aparecida Custódio Ferreira.
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Recurso que Dificultou a Defesa da Vítima: Isabelly foi pega totalmente de surpresa enquanto caminhava na rua. A executora do crime usava disfarces (peruca e roupas largas) para não ser reconhecida e impedir qualquer chance de reação.
Além da reclusão, a Justiça determinou que Marlon pague R$ 50 mil em indenização por danos morais a Isabelly.
O Dia do Ataque: Câmeras flagraram desespero da vítima
O crime aconteceu na tarde de 22 de maio de 2024, na Alameda Padre Magno, centro de Jacarezinho. Isabelly caminhava em direção à academia quando uma mulher se aproximou e arremessou o ácido.
Imagens de câmeras de monitoramento flagraram o momento mais dramático: a jovem correndo desesperadamente pela rua em busca de ajuda, enquanto o produto corroía sua pele e suas vias aéreas. Ela foi salva por um barbeiro local, que a colocou em seu carro e a levou às pressas para o hospital. No local do crime, a polícia recolheu uma sacola preta e um copo molhado com os resquícios do produto químico.
As Lesões Gravíssimas que Quase Levaram à Morte
Isabelly foi atingida gravemente no rosto e na região peitoral. O diagnóstico médico detalha a gravidade do ataque:
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Queimaduras de segundo grau na boca, tronco e face.
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Lesões severas na cavidade oral, lábios, cavidade orofaríngea e hipofaringe (vias respiratórias e digestivas superiores).
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A jovem contraiu uma infecção grave, precisou ser intubada e sedada, passando cerca de 30 dias internada no Hospital Universitário de Londrina (HU).
Mente Criminosa: Plano foi traçado de dentro da cadeia
O Ministério Público revelou detalhes perturbadores sobre a dinâmica do casal de criminosos. Marlon já estava preso por roubo de celular quando o ataque aconteceu. No entanto, a análise pericial no celular de sua companheira, Débora Aparecida Custódio Ferreira, provou que Marlon foi o mentor intelectual do crime, convencendo Débora a executar o plano macabro.
"Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia", confessou Débora em depoimento à polícia.
Marlon comprou o produto químico antes de ser preso, pesquisou sobre os efeitos devastadores da substância e orientou Débora minuciosamente sobre como se disfarçar para o ataque. Em sua defesa, alegou falsamente que queria apenas dar um "susto" na ex-namorada.
Reviravolta no Tribunal: Defesa de coautora abandona julgamento
Embora Débora Aparecida Custódio Ferreira também devesse receber sua sentença, uma manobra jurídica adiou o desfecho de sua situação. No início da tarde do julgamento, seus advogados de defesa abandonaram o Tribunal do Júri, alegando que o processo "não estava sendo justo" com a ré.
Diante do abandono, o julgamento de Débora foi cancelado e será remarcado para uma nova data. Ela permanece presa preventivamente na Cadeia Pública de Santo Antônio da Platina, enquanto Marlon já cumpre sua pena de mais de 23 anos na Penitenciária Estadual de Londrina.
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