Especialistas dizem que concessionária cometeu 'sequência de erros' e contestam a versão da Arteris Litoral Sul, concessionária do trecho da BR-376 onde um deslizamento matou duas pessoas. A empresa alegou que não havia risco no local, mas geólogos alertam que trecho de serra, com encostas e excesso de chuvas indicavam alerta para empresa antes do acidente.
O deslizamento aconteceu no dia 28 de novembro durante uma forte chuva. O local havia tido um deslizamento que interditou parcialmente uma das pistas antes da tragédia, mas a pista foi mantida aberta. A Polícia Civil apura a responsabilidade da empresa no caso e o Ministério Público Federal (MPF) investiga a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que não bloqueou a pista.
Na última semana, a empresa disse que o local era monitorado e que não apresentava perigo. A versão é contestada pelo presidente da Federação Brasileira dos Geólogos (Fabrageo), Fábio Augusto Reis.
"Se você tem primeiro um local que tem indícios de uma serra, que tem um relevo propício ao escorregamento, chuvas intensas acumuladas com valor muito alto nas últimas 72 horas, você tem um escorregamento que é um indício de movimentação, e aí você não toma decisão. Então realmente isso é um ponto que a análise de responsabilidade desse acidente e das mortes tem que considerar [...] mas houve uma sequência de erros em termo de tomada de decisão", afirmou Fábio Augusto Reis.
Para a entidade, a concessionária precisa tornar públicos os estudos que apontam a inexistência de riscos no trecho e também esclarecer por que manteve a circulação de veículos na rodovia mesmo após um primeiro deslizamento horas antes, sem vítimas, próximo ao local.
O especialista frisou que foram registrados mais de 300 milímetros de chuva no trecho em 72 duas horas, e que as características e ocorrências do trecho apontavam necessidade de medidas de prevenção.
Ele afirmou, ainda, que a primeira ação "é o isolamento da área" para então acionar "a avaliação de geólogos, engenheiros e técnicos da Defesa Civil".
"Isso já demonstra um local com chuva acumulada muito alta, então com certeza já deveria ter tomado ações de atendimento, gerenciamento de risco no local. E uma das ações é fechamento da área, remoção das pessoas do local de risco", ressaltou.
Procurada, a Arteris Litoral Sul reforçou que o trecho em que aconteceu o deslizamento é acompanhado periodicamente e recebeu "a classificação mais baixa de risco", conforme laudo emitido em julho deste ano por uma certificadora independente.
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