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Terça-feira, 02 de Junho 2026
Justiça

Ação de advogada chamada de cadela por membro do MP fica parada após 10 promotores “recusarem” o caso

É "vergonhoso o comportamento do promotor de Justiça, mas tão vergonhoso quanto é a sucessão de colegas se declarando impedidos de atuar"

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Ação de advogada chamada de cadela por membro do MP fica parada após 10 promotores “recusarem” o caso
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Uma ação penal movida pela advogada criminalista Catharina Estrella contra o promotor Walber Luís do Nascimento encontra-se paralisada há mais de um ano em razão de sucessivas declarações de suspeição. Até o momento, dez promotores e um juiz se declararam impedidos para analisar o caso, o que tem impossibilitado seu andamento regular.

O incidente que originou a ação ocorreu em setembro de 2023, durante uma sessão na 3ª Vara do Tribunal do Júri do Amazonas. Na ocasião, durante a réplica da acusação, o promotor comparou a advogada a uma cadela, afirmando que tal comparação seria ofensiva ao animal, não à profissional. A declaração foi gravada e ganhou ampla repercussão nas redes sociais.

 

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Em suas palavras, o promotor afirmou: “Se tem uma característica que o cachorro tem, doutora Catharina, é lealdade. Eles são leais, são puros, são sinceros, são verdadeiros. E, no quesito lealdade e me referindo especificamente a vossa excelência, comparar vossa excelência com uma cadela é muito ofensivo. Mas não à vossa excelência, à cadela”. Em outubro do mesmo ano, a advogada apresentou queixa-crime contra o promotor.

O caso ainda não teve resolução de mérito devido às sucessivas declarações de suspeição. 

A defesa da advogada, realizada pelos advogados Alberto Zacharias Toron e Renato Marques, manifesta preocupação com a possibilidade de prescrição do caso devido à demora no julgamento. Segundo Toron, é “vergonhoso o comportamento do promotor de Justiça, mas tão vergonhoso quanto é a sucessão de colegas se declarando impedidos de atuar e, com isso, impedindo o andamento da ação penal e consagrando a impunidade”.

Por sua vez, a advogada Catharina Estrella expressou seu sentimento em relação ao ocorrido: “É uma dor que só quem é mulher sabe. Ser inferiorizada por ter nascido mulher é algo que me revolta muito”, afirmando ainda que aguarda uma solução para o caso há mais de um ano e meio.

O advogado do promotor, Bruno Infante Fonseca, pronunciou-se por meio de nota afirmando que “não cabe a este advogado ou ao seu constituinte apresentar manifestação sobre o andamento do processo, ou a conduta de qualquer servidor público que, até o momento, agiram dentro da mais completa legalidade e baseada nos permissivos funcionais de suas atividades”.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Paraná Urgente / Fonte: @sintesecriminal
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