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Terça-feira, 26 de Maio 2026
Economia

Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 1,765 bilhão em abril

O resultado negativo das transações correntes é compensado por um robusto fluxo de investimentos diretos no país (IDP), assegurando a qualidade do financiamento.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Contas externas do Brasil registram déficit de US$ 1,765 bilhão em abril
© Valter Campanato/Agência Brasil
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O Brasil registrou um déficit de US$ 1,765 bilhão em suas contas externas durante o mês de abril, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (24). Este resultado, ligeiramente superior ao observado no mesmo período de 2025 (US$ 1,636 bilhão), reflete as transações correntes do país com o exterior, abrangendo a movimentação de bens, serviços e transferências de renda.

Apesar do saldo negativo, a situação é considerada sustentável devido ao financiamento por investimentos diretos no país (IDP), que demonstram boa qualidade em seus fluxos e estoques.

O acúmulo desse resultado negativo levou o déficit nas transações correntes a atingir US$ 64,333 bilhões no acumulado de 12 meses até abril. Esse montante representa 2,66% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzidos no Brasil.

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Comparativamente, o desempenho atual mostra uma melhoria significativa. No período de 12 meses encerrado em abril de 2025, o déficit era substancialmente maior, alcançando US$ 73,919 bilhões, ou 3,46% do PIB.

Em abril deste ano, um superávit de US$ 2,8 bilhões na balança comercial de bens foi registrado. No entanto, esse saldo positivo foi mitigado pelo crescimento dos déficits em renda primária (US$ 1,8 bilhão) e em serviços (US$ 1 bilhão). Adicionalmente, houve uma leve diminuição de aproximadamente US$ 100 milhões no superávit da renda secundária.

Investimentos para equilíbrio das contas externas

O Banco Central avalia que as transações correntes mantêm um cenário robusto. Mesmo com o incremento do déficit no último mês, a tendência de queda nos 12 meses acumulados persiste desde setembro de 2025.

É crucial destacar que o saldo negativo das contas externas tem sido adequadamente financiado por capitais de longo prazo. Os investimentos diretos no país (IDP) se sobressaem como a principal fonte, caracterizados por fluxos e estoques de alta qualidade.

Em abril, o volume de investimentos diretos no país (IDP) atingiu US$ 8,912 bilhões, um aumento considerável em comparação aos US$ 5,371 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

Um país que apresenta déficit nas transações correntes necessita de financiamento externo, seja por meio de investimentos ou empréstimos. O IDP é considerado a modalidade mais vantajosa, pois direciona recursos ao setor produtivo e tem natureza de longo prazo.

No acumulado de 12 meses até abril, os investimentos diretos no país totalizaram US$ 79,201 bilhões, equivalendo a 3,28% do PIB. Esse valor representa um crescimento em relação aos US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB) do mês anterior e aos US$ 72,691 bilhões (3,40% do PIB) do período encerrado em abril de 2025.

Quanto aos investimentos em carteira no mercado doméstico, o mês passado registrou uma entrada líquida de US$ 621 milhões. Isso se deveu ao ingresso de US$ 1,098 bilhão em ações e fundos de investimento, apesar da retirada de US$ 477 milhões em títulos de dívida.

No período de 12 meses findo em abril, o total de ingressos líquidos desses investimentos atingiu US$ 28,5 bilhões.

As reservas internacionais do país também apresentaram um desempenho positivo, alcançando US$ 366,9 bilhões em abril. Esse montante representa um aumento de US$ 4,911 bilhões em relação ao mês anterior.

Detalhes das transações correntes

Analisando as transações correntes de abril, as exportações de bens somaram US$ 34,282 bilhões, um incremento de 13,9% em relação a abril de 2025. As importações, por sua vez, atingiram US$ 24,574 bilhões, crescendo 6,2% na mesma comparação.

Graças a esses números, a balança comercial encerrou o mês com um superávit de US$ 9,707 bilhões, superando o saldo positivo de US$ 6,957 bilhões registrado em abril de 2025.

Contudo, o déficit na conta de serviços – que engloba categorias como viagens, transporte, aluguel de equipamentos, serviços de telecomunicação e de propriedade intelectual, entre outros – elevou-se para US$ 5,044 bilhões em abril. No mesmo mês de 2025, esse déficit era de US$ 4,091 bilhões.

Entre os principais fatores que contribuíram para o aumento do déficit em serviços, destacam-se:

  • Um crescimento de 26% nas despesas líquidas de telecomunicação, computação e informações, resultando em um déficit de US$ 839 milhões. Essas despesas estão frequentemente associadas a plataformas digitais, como serviços de streaming e comercialização de softwares.
  • Aumento de 16,1% nos gastos com aluguel de equipamentos, totalizando US$ 1,130 bilhão. Essa rubrica reflete o custo de arrendamento de maquinários, plataformas e aeronaves de empresas estrangeiras, indicando um possível ritmo de investimentos e modernização no mercado interno.
  • Uma elevação de 66,4% nas despesas líquidas de viagens internacionais, que somaram US$ 1,456 bilhão. Enquanto os gastos de estrangeiros no Brasil permaneceram estáveis (US$ 837 milhões), as despesas de brasileiros no exterior tiveram um salto de 34,8% (US$ 2,293 bilhões).

O déficit em renda primária, que inclui pagamentos de lucros, dividendos, juros e salários, alcançou US$ 6,801 bilhões no último mês. Esse valor representa um aumento de 35,5% em relação aos US$ 5,018 bilhões observados em abril de 2025.

Historicamente, esta conta costuma ser deficitária, uma vez que o volume de investimentos estrangeiros no Brasil é superior ao de brasileiros no exterior, implicando maior remessa de lucros para fora do país.

Por fim, a conta de renda secundária, que abrange transferências como doações e remessas de dólares sem contrapartida de bens ou serviços, registrou um superávit de US$ 374 milhões em abril. Este resultado é inferior ao superávit de US$ 516 milhões contabilizado em abril de 2025.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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