O presidente Vladimir Putin disse, em um pronunciamento na noite de hoje, ter dado sinal verde a aquilo que definiu como "operação militar especial" da Rússia no leste da Ucrânia, segundo informou a rede de TV americana Fox News.
'Tomei a decisão de conduzir uma operação militar especial. Nossa análise concluiu que nosso confronto com essas forças [ucranianas] é inevitável (...) Algumas palavras para aqueles que seriam tentados a intervir: a Rússia responderá imediatamente e você terá consequências que nunca teve antes em sua história. Vladimir Putin, ao anunciar a operação militar na Ucrânia."
Putin descreveu a medida como uma resposta às ameaças ucranianas e disse que visa a desmilitarização e a desnazificação.
O anúncio do presidente russo ocorre no momento em que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) se reúne para denunciar a invasão do território ucraniano.
Rússia fecha parcialmente espaço aéreo
O Safe Airspace, plataforma criada para monitorar a segurança e zonas de conflito para as companhias aéreas, disse que aumentou seu nível de risco para "não voar". Assim, os voos devem parar sobre qualquer parte da Ucrânia por causa do risco de um abate não intencional ou um ataque cibernético contra o controle de tráfego aéreo.
"Independentemente dos movimentos reais das forças russas na Ucrânia, o nível de tensão e incerteza na Ucrânia agora é extremo", disse Safe Airspace em seu site: "Isso por si só dá origem a um risco significativo para a aviação civil".
A Rússia, inclusive, fechou parcialmente o espaço aéreo na sua fronteira com a Ucrânia. De acordo com um comunicado aos aviadores e missões aéreas, o objetivo era "fornecer segurança". A notificação traz as rotas específicas e altitudes a serem evitadas.
Moscou rebate EUA e promete resposta 'dolorosa' a sanções
O Ministério russo das Relações Exteriores prometeu, hoje, uma resposta "forte" e "dolorosa" às sanções anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ontem, após Putin reconhecer a independência de dois territórios separatistas no leste da Ucrânia.
"Que não haja qualquer dúvida: haverá uma resposta forte a essas sanções, não necessariamente simétricas, mas bem calculadas e dolorosas para os Estados Unidos", disse Moscou, em um comunicado.
Apesar do cenário adverso e das possibilidades de resolução pacífica cada vez menores, Biden ressaltou que "ainda é possível evitar o pior", ao mesmo tempo que denunciou o início da invasão.
A "primeira série" de sanções dos Estados Unidos pretende impedir que Moscou obtenha fundos ocidentais para pagar sua dívida soberana. União Europeia, Japão, Austrália, Canadá e Reino Unido também divulgaram sanções.
As medidas punitivas da UE são direcionadas principalmente contra bancos russos e alguns deputados. No momento, as sanções são cautelosas e menores que as anunciadas em caso de invasão.