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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Economia

Ocupação de idosos no Brasil cresce 53% em uma década, superando o ritmo de jovens

Estudo recente revela que mais da metade dos trabalhadores com 60 anos ou mais atuam na informalidade, sem garantias trabalhistas.

Portal Paraná Urgente
Por Portal Paraná Urgente
Ocupação de idosos no Brasil cresce 53% em uma década, superando o ritmo de jovens
© Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
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O mercado de trabalho brasileiro tem registrado um aumento expressivo na ocupação de pessoas com 60 anos ou mais, com um crescimento de 53% na última década. Este avanço é proporcionalmente maior do que o observado em outros grupos etários, incluindo os jovens, e se contrapõe ao envelhecimento populacional, que cresceu 37% no mesmo período. A análise, divulgada esta semana pela consultoria Nexus, indica que, apesar do aumento na participação, a maioria desses postos de trabalho é informal, sem a proteção de direitos trabalhistas.

Entre 2016 e 2025, a população idosa no Brasil passou de 25,8 milhões para 35,2 milhões, representando um aumento de 13% para 17% do total de habitantes. Simultaneamente, o contingente de trabalhadores com 60 anos ou mais expandiu-se de 5,7 milhões para aproximadamente 8,8 milhões. No final de 2025, 25% da população idosa estava ocupada, um recorde em dez anos, comparado a 22% em 2016.

Em contrapartida, o crescimento da população geral foi de 5% no período, atingindo 212,6 milhões, enquanto o número total de empregos cresceu 14,6%, totalizando quase 103 milhões de trabalhadores ao final de 2025.

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Um cenário de contrastes

Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, descreve o cenário como ambivalente. Ele celebra a capacidade produtiva contínua dos idosos, mas alerta para a precarização das condições de trabalho nessa faixa etária.

“Por um lado, a gente pode celebrar o fato de que as pessoas quando chegam aos 60, 70 anos, ainda estão com uma capacidade ativa para o trabalho”, afirmou Tokarski à Agência Brasil.

Ele ressalta, contudo, que muitos idosos, incluindo aqueles com 75 anos, precisam continuar trabalhando para complementar a renda, o que sugere uma dificuldade em desfrutar da aposentadoria.

Análise dos tipos de trabalho

A pesquisa da Nexus baseou-se em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Pnad Contínua abrange trabalhadores a partir de 14 anos em diversas modalidades de ocupação, incluindo trabalhos com e sem carteira assinada, temporários e por conta própria.

Tokarski sugere que a reforma da Previdência de 2019 pode ser um fator que contribui para o aumento de pessoas 60+ no mercado. A reforma elevou a idade mínima e o tempo de contribuição para aposentadoria.

As novas regras exigem 62 anos de idade e 15 anos de contribuição para mulheres, e 65 anos de idade e 20 anos de contribuição para homens. Anteriormente, não havia idade mínima para aposentadoria por tempo de contribuição.

A questão da informalidade

O estudo da Nexus aponta que 53% dos trabalhadores com 60 anos ou mais estão na informalidade, um índice significativamente maior do que na população geral (38%) e entre os jovens de 18 a 24 anos (41%).

O IBGE define como informais os empregados sem carteira assinada e autônomos sem registro de CNPJ. Estes trabalhadores não dispõem de direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário e contribuição para a Previdência Social.

Tokarski classifica a informalidade como uma característica estrutural do emprego para idosos, indicando uma precarização. Ele observa que, ao contrário dos jovens que podem priorizar estudos ou a busca pela vaga ideal, os idosos tendem a aceitar trabalhos informais mais rapidamente devido à necessidade financeira.

A pesquisa conclui que a sustentabilidade econômica do país pode depender de políticas públicas voltadas para o incentivo à formalização, além de uma revisão nas estruturas corporativas para promover ergonomia, benefícios e inclusão geracional.

FONTE/CRÉDITOS: Por Redação Paraná Urgente

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