Curitiba, PR - As cancelas de 13 praças de pedágio nas principais rodovias do Paraná amanheceram mais caras nesta quinta-feira, 28 de agosto de 2025. O reajuste médio de 7,52%, autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), atinge em cheio o bolso dos motoristas e acende um alerta no setor produtivo do estado, que já vinha manifestando preocupação com o elevado custo da logística para a competitividade da indústria e do agronegócio paranaense.
O aumento, que é o primeiro desde o início dos novos contratos de concessão, afeta os trechos administrados pelas concessionárias Via Araucária (Lote 1) e EPR Litoral Pioneiro (Lote 2). O reajuste, segundo a ANTT, está previsto nos contratos e corresponde à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre março de 2024 e agosto de 2025.
Para os veículos de passeio, a tarifa na praça de São José dos Pinhais (BR-277), no trajeto para o litoral, por exemplo, saltou de R$ 22,60 para R$ 24,00. Em São Luiz do Purunã, também na BR-277, o valor foi de R$ 8,70 para R$ 9,30. Já para os caminhoneiros, o impacto é ainda maior, com o custo variando de acordo com o número de eixos.
Confira os novos valores para veículos de passeio em algumas das principais praças:
| Praça de Pedágio | Rodovia | Concessionária | Valor Anterior | Novo Valor |
| São José dos Pinhais | BR-277 | EPR Litoral Pioneiro | R$ 22,60 | R$ 24,00 |
| São Luiz do Purunã | BR-277 | Via Araucária | R$ 8,70 | R$ 9,30 |
| Porto Amazonas | BR-277 | Via Araucária | R$ 10,90 | R$ 11,70 |
| Lapa | BR-476 | Via Araucária | R$ 11,50 | R$ 12,30 |
| Jacarezinho | BR-369 | EPR Litoral Pioneiro | R$ 12,00 | R$ 12,80 |
As concessionárias justificam o aumento como necessário para a manutenção da qualidade dos serviços e para garantir os investimentos em obras de infraestrutura previstos nos contratos, como duplicações, faixas adicionais e a construção de pontos de parada para caminhoneiros.
Setor Produtivo: "Competitividade em Risco"
Apesar da legalidade contratual, o reajuste agrava a preocupação do setor produtivo paranaense, que depende das rodovias para escoar sua produção. Em recentes declarações, lideranças do setor já haviam criticado os altos custos dos novos pedágios.
Edson Vasconcelos, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), alertou que as tarifas praticadas no estado já estão entre as mais caras do país, o que "compromete a cadeia produtiva e, inevitavelmente, vai pesar no bolso do consumidor e afetar mercados." A FIEP, inclusive, lançou em junho o "Observatório dos Pedágios", uma plataforma para monitorar a execução das obras e a transparência dos contratos.
A mesma preocupação é compartilhada pelo setor de transportes. Sérgio Malucelli, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (FETRANSPAR), destacou que mais de 80% da produção paranaense circula sobre rodas. Para ele, o custo elevado do pedágio é um "entrave logístico estrutural" que ameaça a viabilidade da cadeia produtiva.
A expectativa do setor produtivo e da população em geral é que o aumento nas tarifas se traduza em melhorias significativas e rápidas na infraestrutura rodoviária, um fator crucial para a economia e a segurança de todos os paranaenses. A promessa de um novo modelo de pedágio com mais investimentos e tarifas justas agora está sob o escrutínio atento de quem, a partir de hoje, paga mais caro para trafegar pelas rodovias do estado.