O Complexo Hospital de Clínicas (CHC), em Curitiba, participa de um estudo internacional sobre eficácia de um antiviral para reduzir a capacidade de contágio do SARS-COV-2, vírus causador da Covid-19. Treze pacientes da capital paranaense já participaram do estudo em novembro do ano passado e novos pacientes serão incluídos na fase três da pesquisa no mês de abril, segundo a assessoria de imprensa do Hospital de Clínicas. Após a conclusão dessa fase, que acontece simultaneamente em diversos países, os resultados poderão ser divulgados.
NO CHC, o estudo acontece sob a coordenação da médica infectologista e professora do curso de Medicina da UFPR, Mônica Gomes. Neste estudo, os pacientes são tratados por 5 dias e são acompanhados para avaliação de segurança por 7 meses.
A pesquisa preliminar foi apresentada na 22ª Conferência sobre Infecções Oportunistas e Retrovirus, importante evento internacional sobre doenças infecciosas. Nos Estados Unidos, foram avaliados pacientes com até 7 dias de sintomas de Covid-19, randomizados para receber o medicamento via oral (1 cápsula a cada 12h, por cinco dias) ou placebo. Dentre os 75 participantes com cultura positiva para SARS-COV-2, via coleta de swap nasal, após 5 dias de tratamento, 24% dos pacientes que usaram placebo tinham cultura positiva, enquanto nenhum paciente que usou o medicamento teve evidência de vírus viável na via respiratória, avaliado pela cultura para SARS-COV-2.
Os testes estão na fase 3. São 3 etapas até que fique comprovada a eficácia e segurança do medicamento. “Só então a população terá acesso ao antiviral que poderá ser usado no tratamento da Covid-19. Hoje, não existe antiviral que combata a multiplicação do vírus da COVID-19 na fase precoce da doença. Por isso, essa descoberta é tão importante no combate à pandemia”, explicou Mônica.
Segundo os pesquisadores, o medicamento já se mostrou capaz de ajudar no tratamento de outros tipos de coronavírus, como os que causaram a epidemia de SARS na China (2002-2003) e de MERS (2012), no Oriente Médio.