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Domingo, 16 de maio de 2021
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Entretenimento

Príncipe Philip morre aos 99 anos e deixa marcada sua rebeldia na família real.

Causa da morte ainda não foi revelada.

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Príncipe Philip, o Duque de Edimburgo, morreu aos 99 anos na manhã desta sexta-feira (9) no Castelo de Windsor, anunciou o Palácio de Buckingham. Ele deixou um legado como a figura mais desbocada da realeza britânica e, talvez, uma de suas mais rebeldes — pelo menos em tempos em que se desligar da vida real, como Harry e Meghan estão fazendo agora, seria impensável.

Nascido em 10 de junho de 1921, na ilha de Corfu, na Grécia, Philip teve uma juventude nada comum. Tataraneto da rainha Victoria da Inglaterra, assim como sua futura mulher, a rainha Elizabeth II, ele nasceu com o título de príncipe da Grécia e da Dinamarca, filho da princesa Alice de Battenberg e do príncipe Andrew, da Grécia.

Seu jeito, um tanto diferente do que estamos acostumados quando olhamos para a família real, deixou um legado importante. Ele quebrou algumas tradições e teve seu estilo desbocado em destaque na imprensa por diversas vezes.

Philip ainda tem participação em histórias que vão além do Reino Unido. Ele participou ativamente das batalhas na Segunda Guerra Mundial.

 

Casamento real

Philip e Elizabeth se conheceram em 1939, quando ele tinha 18 anos e ela, 13. O rapaz havia sido encarregado de acompanhar a futura rainha e sua irmã Margaret durante uma visita a um centro de treinamento da Marinha. Para ter a liberação para casar, Philip teve de abrir mão de seus títulos gregos e dinamarqueses.

Eles se casariam oito anos mais tarde, em 1947, depois de Philip se converter ao anglicanismo e renunciar aos seus títulos anteriores. Foi nesse período antes da união que ele adotou o sobrenome Mountbatten, usado por seu tio, Louis. Ao todo, Phillipe e Elizabeth foram casados por 73 anos. Juntos, tiveram quatro filhos: Charles, Anne, Andrew e Edward.

Para a cerimônia, Elizabeth chegou na carruagem do estado irlandês e contou com oito madrinhas, entre elas, sua irmã Margaret.

O anel de noivado da rainha foi feito com platina e diamante, esses tirados da tiara que pertencia a mãe de Philip. Já a aliança foi feita com pepita de ouro galesa.

A festa contou com cerca de 2 mil convidados. O casamento entre os dois teve transmissão pela BBC Rádio e atingiu cerca de 200 milhões de pessoas em todo mundo.

Família polêmica

Príncipe Philip teve uma história conturbada com os pais e irmãs. Nascido na Grécia, sua família foi exilada por um movimento anti-monarquista quando ele ainda era um bebê. Ao lado dos pais e das quatro irmãs, ele viveu a infância na Suíça e depois na França.

Ainda em Paris, sua mãe, a Princesa Alice de Battenberg, se converteu à Igreja Ortodoxa Grega, e em 1930, após dizer que recebia mensagens divinas e tinha poderes de cura, foi diagnosticada com esquizofrenia e internada em um sanatório na Suíça. Nesta época, Philip se distanciou da mãe, indo estudar na Alemanha e no Reino Unido, enquanto suas irmãs se casaram com nobres alemães.

No sanatório, Alice insistia que estava completamente sã e foi até avaliada pelo célebre Sigmund Freud, que teria sugerido que seus surtos eram fruto de frustração sexual e recomendado um raio-x nos ovários para interromper sua libido.

Em 1936, após ser liberada da clínica, retornou à Grécia e trabalhou para a Cruz Vermelha durante a Segunda Guerra Mundial, ajudando a população que precisava de comida e remédios. Com a invasão de Atenas pelas tropas nazistas, Alice escondeu em sua casa a viúva judia Rachel Cohen e seus cinco filhos.

Em uma carta escrita para o filho Philip em 1944, Alice relata que, durante a permanência dos nazistas em Atenas, ela viveu em condições precárias, comendo apenas pão e manteiga. Em 1947, viajou ao Reino Unido para prestigiar o casamento de Philip e Elizabeth.

Nenhuma das irmãs de Philip foi convidada para a cerimônia. Uma delas, Cecile, havia morrido em 1937, em um acidente de avião. Ela estava grávida de oito meses e ao lado do marido, dos dois filhos e da sogra. Antes da tragédia, Cecile e o marido haviam se filiado ao partido nazista. Os maridos de outras duas também tinham laços com os nazistas e o filho de uma delas, Sophie, inclusive recebeu o nome de Karl Adolf, em homenagem a Hitler.

Em 1949, a mãe de Philip fundou uma ordem de freiras na Grécia. Em 1967, já bastante doente, a Princesa Alice foi convidada por Philip e Elizabeth a viver no Palácio de Buckingham, onde viria a falecer, em 1969. Por desejo pessoal, ela foi enterrada em Jerusalém, onde, em 2004, foi homenageada com o título de "Justa entre as Nações" por seu trabalho contra o nazismo.

 

Quebrando tradições

Philip mudou algumas coisas dadas como certas dentro da realeza. Ele foi o primeiro pai da família real a testemunhar o nascimento de um filho -no caso, o de Edward.

E foi por causa dele, também, que ficou acordado que os sobrenomes dos descendentes sem títulos de "sua alteza real" seriam Mountbatten-Windsor. Ele teria reclamado de ser "o único homem do país que não podia dar o nome aos filhos", algo que foi retratado na série "The Crown", da Netflix.

Mas o lado desbocado do príncipe consorte também já resultou em gafes, como quando ele disse a um menino de 13 anos, em 2001, que ele estava "muito gordo" para ser um astronauta. Ou quando ele disse à ativista Malala Yousafzai, atacada por defender o direito de educação das meninas, que "os pais enviam as crianças para a escola porque não as querem em casa".

 

Felizes para sempre?

Se engana quem pensa que se casar com a Rainha da Inglaterra foi uma tarefa fácil para Philip. Mesmo com cargo de destaque na Marinha, ele precisava se curvar à esposa e não pôde dar seu sobrenome aos filhos.
Para aliviar o peso das obrigações reais, Philip costumava frequentar almoços especiais em Londres, na companhia de amigos.

Nessas ocasiões, lançava olhares furtivos para outras moças e começou a levantar rumores sobre casos extraconjugais.

Em livro sobre o casal real lançado em 2004, o escritor Gyles Brandreth afirma que Philip manteve um relacionamento com uma mulher desconhecida em um apartamento na região de West End. Em 1956, com os rumores cada vez mais fortes se espalhando pela realeza, ele até passou alguns meses viajando, longe de Elizabeth, até a poeira baixar.

Em uma biografia da Rainha lançada em 2011, Sarah Bradford conta que conversou com mulheres que confirmaram envolvimento com Philip. "A Rainha aceita. Ela acha que homens são assim mesmo. Ele gosta de mulheres mais jovens, bonitas e aristocráticas", conta.

Durante um brinde, em 1977, Philip brincou que uma das maiores qualidades da esposa era sua tolerância. Mesmo diante de tantos rumores, Philip e Elizabeth já têm o casamento mais duradouro da história da monarquia britânica. Lord Charteris, antigo secretário da Rainha, define o sucesso do relacionamento. "Philip é o único homem no mundo que trata a Rainha como um ser humano. É o único que pode. Ela valoriza isso".

 

Veterano de guerra

Philip se juntou à Real Marinha Britânica em 1939, se formando na Real Escola Naval de Dartmouth, no ano seguinte, como o melhor cadete de sua turma.

Foi também em 1939, após uma visita do Rei George VI e suas filhas, Elizabeth e Margaret, à Escola Naval de Dartmouth, que Philip e a futura Rainha se apaixonaram e começaram a trocar cartas de amor.

Na Segunda Guerra Mundial, ele lutou pelos ingleses enquanto dois de seus cunhados, Cristoph e Berthold, batalhavam pela Alemanha.

Ao longo dos anos de Guerra, Philip se envolveu em diversos confrontos e até recebeu a medalha Cruz de Guerra grega por sua bravura. Em 1942, aos 21 anos, foi promovido a tenente, se tornando um dos mais jovens marinheiros a alcançar tal posição na Marinha Real.

Só retornou ao Reino Unido em 1946, se tornando, então, instrutor da Escola de Suboficiais, em Corsham, antes de seu casamento com Elizabeth.

 

Edição: Leandro Carneiro; Reportagem: Beatriz Amendola e Daniel Palomares;

Fonte/Créditos: Uol

Créditos (Imagem de capa): ADRIAN DENNIS / AFP /22-7-2020

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