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Domingo, 19 de Abril 2026

Ciência & Tecnologia

Pesquisas sobre Covid-19 em Curitiba podem dar novo rumo à comunidade científica brasileira

Desde o início da pandemia da Covid-19 em 2020, as universidades e hospitais de Curitiba e região vêm trabalhando em inúmeras pesquisas sobre o vírus.

Camila Sanches Silva
Por Camila Sanches Silva
Pesquisas sobre Covid-19 em Curitiba podem dar novo rumo à comunidade científica brasileira
Franklin de Freitas
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Curitiba tem registrado baixos números de novos casos e mortes pela covid-19, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba. O ideal, entretanto, é manter a vacinação com dose de reforço anualmente nos próximos anos para evitar que a mortalidade volte a subir.

Desde o início da pandemia da Covid-19 em 2020, as universidades e hospitais de Curitiba e região vêm trabalhando em inúmeras pesquisas sobre o novo vírus, buscando entender como ele se comporta, quais genes possuem maior propensão a contraí-lo e principalmente, como combatê-lo. Um ano e meio em busca da adaptação a pandemia, os projetos de pesquisas locais sobre o vírus dão esperança à comunidade científica da região.

 

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Vacina da UFPR

A proposta de vacina surgiu de uma linha de pesquisa com bioplástico do laboratório do departamento de bioquímica da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O professor do departamento e coordenador do projeto, Emanuel Maltempi, conta como o desenvolvimento dessa vacina com o bioplástico deve funcionar:

“O bioplástico é um plástico produzido por uma bactéria, e com ele nós pudemos recobrir a superfície da proteína do vírus da Covid-19”. Como essas partículas têm o tamanho de duas vezes um vírus, a similaridade com ele é muito grande. Uma vez injetadas no nosso corpo, as células de defesa do nosso organismo reconhecem a proteína do vírus e desenvolvem uma defesa imunológica.

A pesquisa começou em maio de 2020. “Nessa época recebemos um recurso bem pequeno de R$ 27.000,00 para testarmos se o imunizante funcionava em camundongos”, explica o professor. “Um diferencial é que normalmente as vacinas contém inúmeras tecnologias que vão mostrar a proteína viral para o nosso organismo, então é necessário estimular o nosso sistema de defesa para que ele veja essa proteína e reaja de forma robusta”.

Até junho de 2021, todo o projeto foi reestruturado por conta da demora desse recurso financeiro e falta de equipe. Emanuel possui esperanças sobre a conclusão de todas as fases: “A gente esperava que até o final do ano íamos conseguir terminar a etapa de cobaia com camundongos de laboratório, mas por conta desse atraso, está previsto só para o ano que vem”. O ideal é completar todas as etapas do estudo para a vacina até 2023 para produzi-la de forma barata e em grande escala.

A maioria dos resultados em pesquisas realizadas pela equipe aponta que a imunidade de quem já foi vacinado cai com o tempo, então aqueles com um sistema imunológico mais fraco possuem uma maior chance de serem contaminados. De acordo com o professor Emanuel, será necessário vacinar contra a Covid-19 novamente junto à dose de reforço anualmente pelo menos por alguns anos.

“O grande diferencial é que no Brasil ninguém sabe realmente como planejar uma vacina, desenvolver no laboratório, testar as fases clínicas e produzir em larga escala, ou seja, ninguém dominou todas as etapas de produção da vacina completamente no Brasil”, explica.

Desenvolver a experiência para produzir uma vacina própria abrirá portas para a produção de vacinas contra a Aids e o Zika Vírus, por exemplo. “Nós precisamos aprender a fazer isso e dotar nossa comunidade científica, é o nosso grande objetivo no momento. Fazer isso com tecnologia própria será uma grande vitória e uma revolução para a ciência brasileira”.

 

PUCPR: perfil genético torna pacientes suscetíveis

Essa pesquisa foi realizada com cerca de 20 pacientes que foram a óbito durante a primeira onda da Covid em Curitiba, quando ainda não haviam variantes do vírus. Realizada pela PUCPR, a pesquisa investiga a motivação por trás da falta de proteínas que combatem o vírus em determinados pacientes.

A professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da universidade, Lúcia de Noronha, conta que a faixa-etária de todos os pacientes do estudo é de 70 anos e que todos possuíam comorbidades. “Nós pedimos permissão às famílias para realizarmos uma pequena cirurgia no pulmão desses pacientes para retirarmos pedacinhos dos órgãos, que normalmente são o coração e pulmões, às vezes o abdômen”, explica Lúcia.

“Com essas amostras, vamos em busca das proteínas citocinas, que participam do processo inflamatório quando as células entram em contato com o vírus, ou seja, são elas que combatem o vírus da Covid”. Foi comparada a quantidade de um tipo de citocina que defende o corpo de infecções pulmonares presentes no corpo desses pacientes com a quantidade dessa mesma citocina em pacientes da pandemia de H1N1.

“Nossa curiosidade era entender o que causava essa falta de citocina: era um mecanismo do vírus, ou os pacientes simplesmente não produziam?”, explica. Para isso, foram mapeados os genes desses pacientes para buscar uma semelhança entre eles, chegando à descoberta de que a falta desse tipo de citocina pode fazer com que esses pacientes de gene raro sejam mais suscetíveis a doenças mais graves.

Assim como o desenvolvimento da vacina, a pesquisa sobre os genes suscetíveis ao vírus está na base ainda, mas a ideia é fazer uma intervenção precoce com o que está sendo descoberto. “Na pesquisa chamamos isso de janela de oportunidade: se eu souber que algum indivíduo é suscetível a doença, nós podemos tratar precocemente com segurança”. Para Lúcia, proteger a saúde mundial é tratar e encontrar as diferenças nos genes desses indivíduos para tratá-los precocemente e protegê-los antes que desenvolvam uma doença mais grave.

Hospital Angelina Caron estuda anti-inflamatórios

O Departamento de Pesquisa Clínica do Hospital Angelina Caron participa atualmente de três estudos internacionais com remédios anti-inflamatórios de indústrias americanas em pacientes internados com Covid-19. Chamados de estudos de fase 2 e fase 3, os estudos liderados pelo cardiologista e coordenador do departamento de pesquisa, Dalton Precoma, buscam um tratamento para que o paciente evolua do vírus caso seja contaminado.

“Esses pacientes participantes dos estudos foram internados com em situação crítica de intubação ou foram pacientes chamados de alto risco cardiovascular”, explica o cardiologista. Pacientes de alto risco cardiovascular podem ser hipertensos, diabéticos, com insuficiência cardíaca ou doenças pulmonares que, quando são internados com Covid, possuem um potencial a terem complicações.

O estudo está na fase 3, que é quando é testada a eficácia eficácia e segurança do remédio. “O remédio novo é estudado em um grupo placebo, com o remédio inerte, e no outro grupo com o medicamento ativo,” Dalton explica. “Isso é randomizado, ou seja, não sabemos quem é quem, então um grupo ganha o placebo e outro ganha o remédio novo, então no final da pesquisa esse remédio vai ser observado se possui eficácia ou não”.

Os medicamentos estudados são remédios orais e estão sendo usados para outras indicações em outras doenças também. Dois deles são usados para doenças malignas, e agora estão sendo testados para complicação da Covid.

O cardiologista conta que há uma grande expectativa na pesquisa: “Começamos há 3 meses com 60 pacientes e agora só temos 13, mas só vamos saber da eficácia do medicamento no fim do estudo, quando descobrirmos quais grupos fizeram uso do placebo e quais fizeram uso do medicamento ativo”.


UFPR


A Campanha “Vacina UFPR” completou quatro meses de arrecadação para o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 e outras doenças no dia 8. Até o momento, foram arrecadados mais R$ 1,5 milhão. A estimativa é que sejam precisos R$ 76 milhões para a pesquisa.

FONTE/CRÉDITOS: Sarah Guilhermo/Bem Paraná
Camila Sanches Silva

Publicado por:

Camila Sanches Silva

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